quinta-feira, 7 de abril de 2011

Façam cera! Vale a pena! (por Décio Lopes)

Prezados jogadores e treinadores: façam cera, arrastem o jogo, atirem-se ao chão, retardem as cobranças, atrasem tudo o que for possível em uma partida para garantirem um resultado. Vale a pena.

Por mais absurdo que pareça, este é mais ou menos o recado que a arbitragem dá diariamente, através de ações (ou da falta delas) nos gramados pelo mundo.

Não tem jeito. A não ser que o estádio fique sem energia, que haja uma guerra nuclear em um bairro vizinho ou desça um disco voador com ETs perguntando pelo nosso líder, quase não há árbitro que dê mais de 4 minutos de tempo adicional (na primeira etapa dificilmente dão mais de 2).

Então a conta é simplérrima: tudo o que um time enrolar acima de quatro minutos, vira lucro (lucro para o anti-jogo, que fique claro). Um empurrãozinho e o jogador cai e rola como se sofresse uma fratura exposta. Cada tiro de meta precisa de um minuto e meio para ser cobrado. O goleiro começa a ter crises repentinas de câimbras. E por aí vai… Expedientes que qualquer criança em idade escolar já identifica facilmente. No máximo pinta um amarelinho. Besteira…

A Rede Globo deu ontem um número espantoso sobre Nacional x Fluminense: a partida chegava aos seus momentos finais e a bola havia rolado por apenas 41 minutos. O resto foi tempo perdido. Ou ganho, depende do ponto de vista.

E este nem foi dos piores jogos para cera. Só cito porque o número foi revelado na transmissão e não deixa margens a contestações. Há partidas muito mais irritantes, muito mais travadas (propositalmente).

No fim das contas, o árbitro dá 4 minutos extras e está tudo resolvido.

Detalhe: nestes 4 minutos a cera continua e, normalmente, a bola acaba rolando apenas pela metade do tempo. Ou menos.

Mais uma vez, por apostar no “olhometro”, temer as inovações e ignorar a tecnologia, o futebol perde. E os árbitros (que, neste caso, nem tem más intenções) passam um recado aos milongueiros do mundo todo: podem fazer cera, podem apostar no anti-jogo. Vale a pena. 

2 comentários:

  1. Não lembro bem, mas acho que o único árbitro que deu mais que 4 min foi o Luís Orlando Scarpelli, naquele clássico que só acabou quando o além pontes empatou!

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  2. Existem equipes que se utilizam da cera com habitualidade e com habilidade. Este recurso deve fazer parte do estilo do treinador que comanda o grupo. No Avaí sempre foi coisa rara, já fiquei exasperado por iunúmeras vezes vendo certas equipes aplicarem a cera contra nós, e outras vezes também por ver que não utilizamos tal recurso quando cabível. É anti-jogo? É. Mas sai caro ser o único com passo certo em todo o batalhão. - Roberto Costa

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