segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Senhor clássico de Santa Catarina (por Lédio Carmona)

João Lucas Cardoso (@JLCardoso)

"Da guerra contra o rebaixamento, o Avaí fez do jogo diante do Figueirense batalha. Na arena Orlando Scarpelli, William vestiu a armadura azurra, desafiou o perigo – como fizera em tantos outros confrontos contra o arquirrival. Foram dele duas marretadas da vitória por 3 a 2 no clássico do Santa Catarina. Lacerados e estropiados, os avaianos reuniram as últimas forças para comemorar com sua torcida uma batalha vencida com honra ante tantas outras perdidas pelo Brasileirão.

Mas foi o Figueirense que mostrou suas armas e seu arsenal. Primeiro e pela sufocante maioria da partida. Começou em alta e pelo alto, na testada de Ygor. O volante vibrou pelo gol e com a possibilidade de escrever seu nome num livro cheio de heróis e vilões. Do capitulo 395 da história do clássico catarinense, ganhou algumas linhas. Quem ganhou mais foi Júlio Cesar. Perdeu um pênalti que deu fôlego para que o Avaí se levantasse e continuasse no duelo. Lincoln, no contrapé do goleiro Wilson, sentenciou o empate quando o tiro de cabeça foi certeiro, quanto um empate àquela altura parecia improvável. Julio Cesar se redimiu da estocada errada quando mostrou aos 17.933 no Scarpelli sua alma de batalhador. Mandou no goleiro, na trave e, enfim, na rede. Primeiro round: 2 a 1 Figueirense.

E veio o segundo tempo e mais chumbo grosso e alvinegro. O Avaí jogava com soldados errados para seus postos. E por isso chegou a ser encurralado ante ao abismo. Os avaianos se organizaram e, como espartanos ante uma avalanche rival, se aglutinaram para defender. Os paus da goleira de Felipe chegaram a se tornar barricadas para evitar que a flechada ultrapassasse os escudos azuis. E o próprio goleiro fez-se chefe do esquadrão antibombas do adversário. Daí surgiu o Senhor Clássico, Senhor da Guerra. Foi ele quem se jogou na bola no centro de Arlan para ir junto com ela para dentro do gol. Depois, e de novo, William apareceu no alto, exibiu o escudo avaiano e a cabeçada mortal. Não negou a patente de comandante para fazer Wilson encostar só quando o balão já cruzara a linha. Foi a virada. “Ufa” proferiram os azuis, enquanto suspiravam os alvinegros.

O clássico Figueirense x Avaí deste domingo faz crer que o futebol é de fato uma guerra simbólica. O Figueira sai de cabeça baixa, apesar de ter o direito de mantê-la em pé pelo que fez na partida. O Avaí fez da batalha o marco para uma nova fase na guerra que trava contra guilhotina. Florianópolis, sem dúvida, continuará bela, mas não será mais a mesma."

Fonte: http://sportv.globo.com/platb/lediocarmona/

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